Olá! Meu nome é Christopher e estou aqui para dizer que estou mais um dia “limpo”. Hoje, completo mais um ano que estou sem televisão. Deixei um dos meus maiores vícios, a caixa mágica e suas vertiginosas e hipnóticas seqüências de imagens de lado e o substitui por: mais tempo com meus amigos, mais músicas, mais sessões de cinema, mais livros, mais estrada e mais fotografias.
Confesso que no início foi difícil. Resolvi tomar atitude tão drástica ao perceber que sofria da eterna falta de tempo. Não conseguia fazer nada, pois tinha convicção de que sem tomar conhecimento das notícias divulgadas pelos telejornais seria ignorado na rua e em meu serviço; de que seria taxado de displicente pelos colegas de trabalho, jornalistas, fotógrafos e assessores de imprensa, chargistas, diagramadores, redatores, cinegrafistas e todos aqueles que têm como fonte de sustento, a informação.
Precisava de argumentos sólidos e, digamos assim, maduros para apertar o botão do “on/off” da televisão - Sim! Minha teve era uma Sharp, modelo C 1402 – A, 14´´, com um botão que mais parecia a múmia de um peão-de-cabeça-chata de um tabuleiro de xadrez qualquer, cuja base trazia a inscrição “puxe-lig.-vol”. Nada de controle remoto, tela de plasma ou LCD.
Por longos anos levei a sério o título de telespectador e na atitude de não falhar nunca, surrava o botão “puxe-lig.-vol” cada vez mais cedo; bem antes do início do programa esperado e acompanhado dos sentimentos de culpa e covardia ardendo no peito relutava em goleá-lo novamente. Dessa forma me permiti por incontáveis vezes contemplar trechos da programação.
Agindo assim acabei por deixar em paz o botão-múmia até tarde da madrugada e em algumas ocasiões, o pobre coitado amanhecia sem que eu tivesse que lhe dar o segundo corretivo do dia.
Por ter sido tão piedoso acredito até que tenha um dos lados do rosto mais bronzeado que o outro. Impossível que isso não tenha acontecido após tantas horas exposto àquela luz intermitente vinda do chuvisco do tubo de imagem.
Exausto pela vertiginosa rotina comum a todos nós, chegava em casa e partia para cima da TV como um tarado parte para cima do seu objeto de desejo. O corpo em inércia, desabado em um sofá malhado ou lançado ao surrado colchão escondido pela montanha de lençol e cobertor, só permitia os espasmódicos movimentos das pálpebras. Transformava-me em um bolo de carne diante do microondas.
Certo dia eu escutei a voz que outrora salvara “Caroline” (personagem do filme Poltergeist) gritar pra mim: “fuja da luz Christopher”. Impossível não dar ouvidos para um chamado como esse, principalmente quando você desconhece sua origem. Tive a impressão de que vinha da estante dos livros, da sapateira, mais precisamente, da chuteira que brilhava graças ao pouco uso.
Achei também que vinha do equipamento fotográfico encostado ao pé da mesa do computador, da motocicleta que se encontrava estacionada na garagem e dos filmes antigos esquecidos nas prateleiras das locadoras. A voz vinha de todos os lugares que eu deixara de lado por acreditar não ter tempo. Foi quando eu decidi dar um último peteleco no “puxe-lig.-vol”, cortar-lhe o cordão umbilical e Nardorná-la. Sim! Joguei-a pela janela. Ao fazer isso, percebi que o quarto continuou iluminado.
Luz suficiente para ler, escrever, fotografar, ligar para os amigos e marcar uma cervejada ou uma viagem pela infinita highway. Desde então, estou limpo. Meu nome é Christopher e espero encontrá-lo(a) pela estrada, bem longe da caixa mágica.
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kkkkkkkkkkkk, pois é tenho feito o mesmo ja algum tempo, porem tbem Hoje eu to limpo de alcool e drogas,fantastico teu blog, eu te achei no blogueiros do brasil, tenho um blog cadastrado la tbem. é o ESTRADEIROS REAIS MOTO GROUP, la eu coloco fotos das motoesculturas que faço, ficarei honrado por sua visita la, e feliz caso vc queira adicionar alguma ae no seu blog. motoabraço.
Mauro Cristovão Alvim.
obs: meu filho tbem se chama CHRISTOPHER.
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